domingo, 22 de maio de 2011

pensando a pedra e a água...

Lasco os meus pés no chão
percorro caminho intermitente
não paro
percorro o caminho que tracei
vou em frente sempre
mas as vezes olho pra trás
...e do sal que brota tempero meu dia
tempero o momento com limão e sol

sal me faço pedra pedra me faço forte forte escorro água e viro rio
viro cachoeira

[...e deságuo mulher o desejo de te querer te ter e fazer
escorro da pedra úmida a vontade de cada dia até um dia deixar de ser ]

terça-feira, 17 de maio de 2011

as questões que me atormentam hoje...

por que insisto tanto em ser personagem
quando deveria ser a autora da história?
por que conviver com a falta?
por que não consigo encarar de frente a solidão?
por que a inércia?
por que a insaciedade?
por que dar tanto valor aos momentos
que por mais intensos e cheios de prazer
são apenas momentos?
por que é tão difícil encarar o fim?
por que é tão necessário e real o fim?
por que querer voltar a uma situação que não me faz feliz?
por que acreditar em possibilidades se todas elas são
APENAS possibilidades?
por que parece tão difícil escrever um novo capítulo pra essa velha história?
por que eu sou assim?
por que quero tanto?
por quê??

domingo, 15 de maio de 2011

...tem alguma coisa errada...
não era pra doer tanto.
esse dia que não passa
o futuro que não chega
e o passado que ainda é tão presente
e a dor
dói
rói
corrói
meu peito já tão cansado

..que infinito o instante de pensar em vc...

sem sentidos...

...volto ao lugar da dor...

saudade infinita de um certo jeito de sorrir
saudade da voz, do gosto, do cheiro, da pele, da cor...
todos os meus sentidos sentem sua ausência
como posso então continuar a dizer não?
é o sexto sentido que obriga a razão?
que grita o óbvio?
é o senso?
bom ou mau?

é a razão que quero tanto ser...

sim... continuo a dizer não... mesmo que ninguém esteja perguntando mais...
mesmo que ninguém me ouça gritar no silêncio do meu quarto...
continuo a dizer não pra mim...
para a sensibilidade do meu olfato e paladar...
para o desejo do meu tato e audição...
para a vontade da minha visão...
nego os meus sentidos e sinto as vezes que vou surtar...
nego meu desejo e a vontade de beijar...

...os lábios que me fazem suspirar...

nego a insanidade que acompanha meus sentidos
e que me faz refém
me prendo pra ser livre
me oprimo pra me libertar
da falta que faz
cada pedaço seu
preciso mais do que nunca me livrar...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Não

não quero surtar,
não quero deixar a loucura do sentimento que me alucina tomar meus poros e sentidos...
não quero perder o foco do que acho pertinente pra minha vida
não quero ser emoção
quero ser razão
raciocinar
racionalizar
e esperar o tempo cicatrizar
a ferida que sangra
a dor de ser assim
a dor de escolher o que quero pra mim
e de saber dizer não.

terça-feira, 3 de maio de 2011

...

...não sei ao certo o que me faz mulher,
nem mesmo sei o que me faz pessoa...
sou ser mutante, frágil, inconstante
borboleteando entre carros e ruas
sou ilha num oceano de probabilidades
cercada de dores nuas e cruas.

sou brava, sou forte, guerreira de porte
mulher que pariu e não conta com a sorte
de ter quem te ampare, por amor ou dever
as vezes menina, disfarço minha sina
e refaço minhas asas no meio do caos

criando certezas mirradas, falácias de fado
que finjo domar, eu sigo valente, a dor não me assusta
sou força bruta eu posso lutar...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Fênix

arrancar das entranhas o filho gerado
na dor de não ser o que se deveria
extipar do corpo o membro doente
na dor de não ser mais como poderia
terminar um namoro quando ainda se ama
na dor de dizer o que não se queria
fazer-se na dor, rever o plantado arrancando a raiz
destruir, construir, destruir, construir e ir
ir em frente(?), voltar atrás (?), dar a volta (?)
fazer-se chama, incendiar, e do meio das cinzas de tudo
de novo e de novo tentar gerar, do nada restante um princípio de asa
voltar a voar.